Fonte:
Pecuária Brasil
A raça Aberdeen Angus, é originada da Escócia e está no Brasil desde 1906. Caracterizada pelas pelagens preta e vermelha, a raça se destaca pela sua precocidade sexual e de terminação, além da alta fertilidade, docilidade, caráter mocho e excelente qualidade de carne. É por estes e outros atributos que o Angus cada vez mais cresce no Brasil, contribuindo com o aprimoramento da pecuária brasileira. A Associação Brasileira de Angus (ABA) está sediada em Porto Alegre/RS, e desenvolve importantes trabalhos visando o avanço da raça. Em entrevista com José Paulo Dornelles Cairoli, presidente da entidade, ele revela os principais caminhos que a raça está seguindo, e os trabalho da associação.
A RAÇA
Origem
Os criadores da região de Angus e do condado de Aberdeen no oeste e nordeste da Escócia empenharam-se na formação da raça, daí o nome Aberdeen Angus. Foi reconhecida oficialmente em 1835.
Características
A raça Aberdeen Angus é de porte grande, pesando as vacas de 600 a 700 kg, e os touros, de 800 a 900 kg. Em média, as novilhas dão a primeira cria aos dois anos. Os bezerros nascem pequenos, em comparação com os de outras raças britânicas, mas crescem rapidamente. Os machos nascem, aproximadamente, com 28 kg e as fêmeas com 26 kg. Sua carne apresenta boa marmorização (gordura entremeada bem distribuída) e rendimento de carcaça elevado.Devido à qualidade da carne, à eficiência na conversão de alimentos, ao elevado rendimento de carcaça e por ser mocho, a raça Angus é muito apreciada para cruzamentos. Sua adaptabilidade permitiu a introdução e difusão em muitos países do mundo, onde ocupa um papel importante na produção de novilhos de corte.
Quanto tempo (gestões) você é presidente da Associação Brasileira de Angus?
Estamos na segunda gestão consecutiva (2006/2008). A primeira foi em 2004/2006.
Como você avalia a pecuária Brasileira?
A pecuária brasileira está em permanente evolução. Ao mesmo tempo que estamos vivendo um novo ciclo pecuária (e bons preços), os desafios ao produtor vão se tornando maiores com a complexidade da atividade. Ainda há muito espaço para crescimento, pois a produtividade média pode ser muito melhorada e a padronização dos rebanhos também é uma necessidade.
Como você avalia a raça Aberdeen Angus hoje no Brasil?
A raça está consolidada como líder entre as européias e esta liderança cada vez é maior pelas qualidades da raça e serviços de nossa associação. Está bem claro que o Angus é a melhor opção como raça pura para a região Sul do Brasil e a melhor opção de cruzamento para o restante do país.
Durante sua gestão (s) quais as principais idéias foram concretizadas em prol da raça Angus?
Estivemos, desde o início, focados na consolidação da raça Aberdeen Angus no mercado do centro do país objetivando integração com indústrias frigoríficas. Para isso, trabalhamos para obter uma pecuária de resultados que promova tanto o produtor, usuário da genética Angus; a raça, e por sua vez, a carne Angus. A consolidação da raça Aberdeen Angus passa pelo Programa Carne Angus Certificada que, somente em 2006, certificou próximo de 100 mil animais Angus! Em 2007, o programa obteve selo inédito cedido pela Aus-meat, empresa líder em certificação no mundo. O reconhecimento internacional de qualidade AUS-QUAL representa uma iniciativa precursora da Aus-meat e para isso a Associação Brasileira de Angus desenvolveu um Sistema de Gestão pela Qualidade para o Programa que envolveu auditorias nas unidades do Frigorífico Mercosul (parceiro no RS. No centro do país, a ABA tem parceria com o Frigorífico Marfrig) e cursos de capacitação dos profissionais. Também desenvolvemos uma série de ações como promoção e fortalecimento dos Núcleos de Angus regionais, melhoramento genético através de capacitação de profissionais e extensão aos criadores via cursos de avaliadores como Promebo/Angus.
Ao que se deve o grande crescimento da raça hoje no Brasil e de que forma ela está crescendo?
Ao trabalho que vem sendo realizado pela Associação Brasileira de Angus tanto de divulgação das qualidades/vantagens e benefícios que envolvem a raça em exposições, leilões chancelados, dias de campo, quanto pelas ações do produtor e Programa Carne Angus Certificada. Desde 2003, o programa de carnes da ABA reúne todos os elos da cadeia produtiva (produtor – associação de raça – frigorífico – varejo e serviço). Desta forma, houve uma propagação natural ao Brasil Central que cada vez mais utiliza a raça em cruzamentos industriais. O crescimento é gradual, com qualidade.
Na sua opinião quais são as principais soluções para a resolução dos problemas que a agropecuária brasileira enfrenta hoje, como as questões sanitárias e mercadológicas?
Para o Brasil consolidar a imagem de uma pecuária forte, no cenário externo, e de respeitabilidade, é fundamental defender o controle sanitário e trabalhar com ações específicas em todo interior brasileiro.
Quais são os principais trabalhos realizados pela associação visando o melhoramento genético da raça?
O trabalho é permanente através do serviço de seleção do corpo técnico, exposições e PROMEBO. De outra parte, estamos testando touros brasileiros através de testes de progênie com a empresa ALTA-PROGEN para que estes sejam provados mais rapidamente nos rebanhos brasileiros.
Como as grifes de carne em torno do Angus colaboraram com a expansão da raça nos últimos anos?
Através da divulgação da raça e comprovação da qualidade superior da CARNE ANGUS.
Quais os principais projetos em relação ao aprimoramento da carne Angus? (Programa Carne Angus Certificada, entre outros)
Queremos e iremos nos aproximar cada vez mais dos frigoríficos para melhorar o relacionamento do produtor com a indústria e para, cada vez mais, oferecer um produto de melhor qualidade. Hoje temos a certificação AUS MEAT que garante a seriedade de nosso trabalho e brevemente teremos outras formas de diferenciar mais a CARNE ANGUS da carne comum.
Quais são as idéias para o futuro, a frente da ABA?
Fortalecer a relação produtor e frogorífico e disseminar, cada vez mais, o cruzamento industrial com a utilização da raça Aberdeen Angus, especialmente no Brasil Central.
De que maneira a raça está sendo difundida? Ela está difundida e adaptada aos diferentes estados brasileiros? E como está seu desenvolvimento nessas diferentes regiões?
Temos 19 núcleos de criadores no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo que atuam com o Corpo Técnico da associação através de assessoramento a associados e novos criadores, nas propriedades. Os Núcleos também promovem atividades como exposições, leilões e dias de campo. Em exposições que pontuam como “A” ao ranking oficial da Associação Brasileira de Angus reforçamos a atuação com equipe de técnicos e profissionais. Por apresentar características como rusticidade e adaptabilidade, a raça está sendo criada até no Nordeste brasileiro. Temos exemplo de pecuarista que cria animais de pelagem preta em temperaturas elevadas como as encontradas em Rio Grande do Norte, o ano todo.
Como é o desempenho do Angus em cruzamentos industriais? O que ele proporciona ao produtor quando se fala em produção econômica?
O Angus complementa o Nelore e reduz os custos da pecuária reduzindo o ciclo de produção. As novilhas cruzadas podem ser entouradas mais jovens que as zebuas e os machos podem ser abatidos mais novos por terem facilidade de apronte. Assim, temos redução no ciclo em dois pontos vitais para o negócio: reprodução e terminação.
Como está o mercado do Angus? venda de sêmen, de touros, e animais de elite?
Está muito bem. É a raça européia número um na venda de sêmen e touros. Nos animais de elite notamos ano-a-ano a entrada de novos investidores. O Angus em qualquer situação é um produto de alta liquidez e valor, pois tem a preferência do mercado.