Fonte: Ferenc Istvan Bankuti
As atividades humanas e empresariais modificam características do meio ambiente. Recentemente, essa questão tem recebido atenção especial, tanto nos canais de comunicação quanto em discussões e fóruns internacionais. Paralelamente a este fato, governos, clientes e sociedades começaram atuar com maior responsabilidade ambiental e a exigir das empresas a mesma postura (WEBER, 1999). O governo, por meio da imposição de leis mais rígidas relativas às atividades empresariais e suas interações com o meio ambiente. Clientes e sociedade, ao exigirem produtos e processos produtivos mais “limpos”; ou seja, com menor impacto negativo ao meio ambiente.
De acordo com as normas propostas pela
International Organization for Standardization – ISO NBR 14.000, a interação das atividades humanas com o meio ambiente é denominada de impacto ambiental, podendo ser este positivo ou negativo. Um impacto negativo é qualquer elemento das atividades, produtos ou serviços de uma organização que interage negativamente com o meio ambiente. De maneira contrária, um impacto positivo é caracterizado como qualquer elemento das atividades, produtos ou serviços de uma organização que traga algum benefício ao meio ambiente.
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Fonte: Divulgação
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A maior competitividade de empresas ambientalmente corretas é fato presente e que pode ser identificado em diversos setores. Instituições financeiras, por exemplo, disponibilizam crédito com menores taxas de juros para empresas que comprovadamente possuem projetos de redução do impacto ambiental negativo de suas atividades. Além disso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) utiliza um índice para verificar a sustentabilidade de empresas (ISE). A partir deste índice há a sinalização e conseqüentemente valorização das ações de empresas que causam menor impacto negativo para o meio ambiente.
Outro aspecto que pode trazer maior competitividade para empresa “amiga do meio ambiente” é a possibilidade de comercialização de créditos de carbono. Através deste mecanismo, empresas que lançam na atmosfera gases de efeito estufa (GEE), tais como dióxido de carbono (CO2); monóxido de carbono (CO), metano (CH4) entre outros, tem a possibilidade de reduzir seu impacto negativo comprando créditos de carbono de outras empresas. Isso significa que empresas que mais absorvem gases de efeito estufa do que lançam esses gases no meio ambiente podem vender o direito de poluir (créditos de carbono) às demais. Portanto, a venda de créditos de carbono pode representar fator de incremento à competitividade para empresas ambientalmente corretas.
É importante ressaltar que a competitividade das empresas considerada neste trabalho está relacionada principalmente à redução de custos, racionalização na utilização de recursos produtivos, ganhos de mercado e melhoria da imagem institucional.
Entretanto, há que se considerar os diversos “graus” ou níveis de adequação que as empresas podem alcançar e as diferentes ferramentas que serão empregadas. O grau mínimo de adequação é o cumprimento da legislação. Ou seja, o mínimo que uma empresa pode fazer é estar de acordo com as leis ambientais vigentes. No outro extremo, a adequação em um grau maior ou em nível excelente seria a implementação e operacionalização adequadas de um sistema de gestão ambiental (SGA) internacionalmente reconhecido e sua integração com a gestão de diversas áreas na empresa.
É importante ressaltar que os SGA’s não são exigência legal, e sim, normas voluntárias, que podem incrementar a competitividade de empresas que os adota.
Outras possibilidades ou oportunidades de adequação das empresas frente à questão ambiental estão:
(a) adequação à legislação ambiental: esta adequação evita o pagamento de multas e/ou outras penalidades para empresa;
(b) utilização de materiais reciclados: materiais reciclados possuem preço de compra inferior quando comparado com materiais novos / virgens. Portanto, essa oportunidade traz menores custos de produção;
(c) reaproveitamento interno ou comercialização de resíduos: reutilizar recursos produtivos que antes eram descartados ou comercializá-los pode representar ganhos financeiros. Certos tipos de resíduos (ex.: vinhaça da cana) precisam de tratamento e/ou disposição adequada antes de serem descartados. Desta forma, o reaproveitamento ou a comercialização podem reduzir ou anular esse tipo de custo, além de permitir aumento de receita;
(d) desenvolvimento de processos produtivos mais “limpos” ou novos produtos: processos produtivos mais eficientes podem resultar em economia de capital. Pode-se citar como exemplo, processos produtivos que são mais eficientes no uso da água ou energia. Ou ainda, aqueles que utilizam fontes de energia mais limpas, tal como a eólica ou solar e
(e) comercialização de créditos de carbono: essa estratégia pode incrementar a receita da empresa que vende e reduzir o impacto negativo daquela que os adquire.
É importante ressaltar que além das vantagens já mencionadas, tais oportunidades trazem resultados positivos para a imagem institucional da empresa. Conseqüentemente, estas podem alcançar maiores fatias de mercado, novos mercados, maior lucratividade, incrementando, assim, sua competitividade. A
figura abaixo apresenta o aumento da competitividade por meio de adequações da empresa frente à questão ambiental.
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Fonte: Bánkuti, F. I
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A adequação ambiental pode representar o diferencial de uma empresa em determinados mercados. Empresas ambientalmente adequadas possuem maior grau de sustentabilidade e, conseqüentemente, maior competitividade. Independente do grau de adequação e das ferramentas que serão adotadas para redução do impacto negativo das empresas, todas estas trazem benefícios econômicos e/ou institucionais para as organizações e sociedade.
Referências
BÁNKUTI, F. I; BÁNKUTI, S. M. S. Adequação Ambiental para incremento da Competitividade Empresarial. In:
Anais do V Simpósio de Ciências da Unesp de Dracena - SICUD. Dracena, SP. 2009.
BARBIERI, J. C.
Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2004.
BOVESPA. Bolsa de Valores de São Paulo.
Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE. Disponível em: http://www.bovespa.com.br/Principal.asp. Acesso em: 10 nov. 2007.
DONAIRE, D.
Gestão ambiental na empresa. 2ª. edição. São Paulo: Atlas, 1999.
WEBER, P. S. A Gestão Ambiental na Empresa.
Revista Sanare. Vol. 12, 1999. Disponível em: http://www.ambientebrasil.com.br. Acesso em: 20 jun 2007.