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Artigos: Aproveitamento da Silagem e o Reflexo no Custo de Produção
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Autor: Clóves Cabreira Jobim

Embora seja um tema recorrente em vários artigos e assunto constante em reunião de pesquisadores, a eficiência de aproveitamento (controle de perdas) em silagens invariavelmente não recebe a atenção que merece na fazenda. A perda é sinônimo de aumento nos custos de produção e o uso de forragens conservadas, já significa aumento do custo de produção na maioria dos sistemas de produção de carne e leite. Considerando que o custo da alimentação dos animais é responsável, na maioria das vezes, por mais de 60% do custo total de produção, é cada vez mais importante que o produtor conheça o impacto do valor de cada ingrediente da ração na receita da fazenda.  Se o produtor tiver consciência que o preço recebido pelo produto animal não é determinado pelo custo de produção e sim por situações de interesse de mercado e da indústria, com certeza daria maior atenção às quantidades de silagem que são jogas fora. Embora seja farto o número de publicações impressas ou em sites especializados com informações de fácil acesso disponíveis aos usuários de silagens, os desperdícios são freqüentes. Nesse contexto, o produtor deve se acostumar a calcular o custo de produção do produto animal (reprodutores, sêmen, carne, leite), o que inclui o conhecimento do custo de produção do alimento, incluindo a silagem.

Fonte: IEPEC
Eficiência de produção significa ser eficiente em todas as etapas do sistema de produção. Para ficar no assunto “perdas na ensilagem” destaco a importância do significado de eficiência de aproveitamento da silagem (EAS). A EAS é obtida dividindo a quantidade de silagem efetivamente consumida pela quantidade de silagem armazenada. Esse valor deve ser o mais próximo do valor 1 (um), o que significa maior eficiência de aproveitamento. Descontando-se a EAS do valor 1 teremos uma estimativa real das perdas durante a armazenagem e utilização da silagem. A importância da EAS está no fato de que ela determina o custo real da silagem e, em conseqüência, influi fortemente no custo do produto animal. Exemplificando, consideramos uma armazenagem de 100 toneladas de silagem, produzida a um custo de R$ 54,00/t, e um consumo de 88 t. A EAS seria de 0,88, ou seja, perdas ((1 – 0,88)x100) de 12%. Com essas perdas o custo real da silagem seria de R$ 61,36, valor obtido dividindo-se o custo na ensilagem pela EAS (54,00/0,88).  Embora a determinação do custo de silagens não seja tão simples como no caso de concentrados e de outros ingredientes da ração (grãos, farelos, núcleos, etc.), é uma tarefa que não pode ser desprezada pelos produtores especializados. 

Diante dessa realidade, o manejo do silo é fator altamente determinante do custo de produção da silagem, além do efeito sobre a qualidade da massa de forragem ensilada. O manejo do silo começa no próprio dimensionamento da estrutura de armazenagem, carregamento, compactação, vedação e posteriormente na forma de retirada da silagem durante a alimentação dos animais. Todos esses fatores são altamente determinantes da qualidade de uma silagem e têm grande reflexo na magnitude das perdas durante a armazenagem e utilização e, por conseqüência, no custo final. Dentre esses fatores, a massa específica (densidade) da silagem é fator altamente relevante, pois determina a porosidade que por sua vez influencia o próprio padrão de fermentação no silo e a velocidade de deterioração (estabilidade aeróbia) da silagem durante a utilização.

Fonte: IEPEC
Para redução das perdas, atenção especial na quantidade de silagem a ser retirada a cada dia. O tamanho da fatia deve ser determinado em função do consumo diário. O painel do silo deve ser manejado de forma a ser retirada uma fatia completa. Isso reduz as perdas uma vez que a fração da silagem que está sendo mais atacada por microrganismos responsáveis pela deterioração é eliminada a cada dia. Na descarga do silo, a porosidade é afetada principalmente pelo modo como a silagem é retirada (equipamento utilizado no corte da fatia do painel), devido às perturbações que são provocadas na estrutura da massa remanescente. Quanto maior são as alterações no painel do silo, diminuindo a massa específica e aumentando a porosidade, haverá maior susceptibilidade à penetração de oxigênio e, em conseqüência, maior atividade de microrganismo deterioradores da silagem. Observe sempre a temperatura da silagem no painel do silo. Uma certa elevação de temperatura é normal, pois sempre haverá atividade de microrganismos nessa etapa. Porém, silagens com aquecimento elevado (acima de 2 0C em relação à temperatura ambiente) indica acelerado processo de deterioração.  
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