Autor:
Clóves Cabreira Jobim
 |
|
Fonte: IEPEC
|
A alimentação de animais em sistema de confinamento ou semi-confinamento merece atenção especial, não só em relação às exigências nutricionais, mas especialmente em face dos custos dos insumos, principalmente concentrados. Diante disso, deve-se buscar a utilização de tecnologias que permitam eficiência e economicidade na exploração. Nesse contexto, o uso da silagem de grãos de milho pode se constituir em importante alternativa para o uso desse cereal na formulação de concentrados. A ensilagem de grãos de milho e eventualmente de sorgo ou outros grãos (aveia, milheto) é uma tecnologia já conhecida em muitos sistemas de criação no Brasil. As vantagens em relação à qualidade e mesmo economicidade já são comprovadas. Porém, outras inovações devem ser buscadas para agregar qualidade a essas silagens.
A impossibilidade de formulação de concentrados antecipadamente é uma desvantagem da silagem de grãos, por não poder ser armazenada a mistura pronta para uso posterior. Esse fato faz com que seja necessário misturá-la, diariamente, aos demais ingredientes da dieta, antes de seu fornecimento aos animais. Assim, a ensilagem de grãos de milho com aditivos que elevem o valor nutricional, especialmente no que se refere ao teor de proteína bruta e energia, é de grande interesse, pois pode disponibilizar ao produtor uma silagem com valor nutricional semelhante ao dos concentrados comerciais. Nesse contexto, o grupo de estudos em Forragens Conservadas do Departamento de Zootecnia da UEM vem realizando estudos que têm comprovado a viabilidade da adição de grãos de soja e de girassol na ensilagem de grãos de milho. A soja em grão pode ser uma alternativa, já que o grão de soja cru é um alimento rico em proteína, além de ser considerada boa fonte de energia devido ao seu elevado teor de óleo. Paralelamente, em determinados períodos do ano, a soja apresenta-se disponível a preços mais acessíveis que o próprio farelo desengordurado.
 |
|
Fonte: IEPEC
|
Os dados apresentados na Tabela 1, são resultados de um estudo que avaliou a qualidade de conservação e a composição química de silagens de grãos de milho com níveis crescentes de grãos de soja. Após um ano de armazenagem as silagens apresentaram excelente qualidade de conservação, com perdas reduzidas. Constatou-se que a ensilagem de grãos de milho com a adição de soja crua permite melhorar a composição bromatológica da silagem, principalmente em relação aos teores de proteína e de energia. Dessa forma, o uso de grãos de soja adicionados à silagem de grãos de milho pode determinar redução no uso de concentrados comerciais e, em conseqüência, reduzir os custos de produção, podendo também contribuir para solucionar os graves problemas de armazenagem de grãos nas fazendas.
 |
|
Fonte: IEPEC
|
Já o cultivo do girassol vem se expandindo, contudo sua produção é direcionada para a extração de óleo dos grãos, em que o subproduto tem sido utilizado na alimentação animal na forma de farelo. Outra possibilidade de se elevar o teor de proteína bruta de silagens de grãos de milho é a adição de uréia. Embora a adição de uréia em silagens seja prática corrente, estudos que a usem em silagem de grãos de milho ainda são escassos.
Na Tabela 2 é apresentado alguns valores da composição química de silagem de grãos de milho com adição de grãos de soja, de girassol ou uréia. Essas silagens apresentaram boa qualidade de conservação e, na avaliação de desempenho animal (cordeiros em confinamento), mostrou ótimos resultados.
 |
|
Fonte: IEPEC
|