Autor:
Clóves Cabreira Jobim
A terminação de bovinos em sistema de confinamento é importante estratégia para engorda de animais no período de escassez de forragem, com liberação de áreas para outras categorias dentro da propriedade, ou mesmo como forma de garantir melhor acabamento de carcaça e redução da idade de abate. A rentabilidade neste sistema, entretanto, tem se mostrado reduzida, o que exige um correto planejamento e condução do sistema para que os recursos sejam bem utilizados de forma a minimizar os custos e obter o máximo de lucratividade. A alimentação tem participação significativa na composição dos custos dentro do confinamento, e desta forma, a escolha dos alimentos a serem utilizados e a formulação da dieta são pontos-chaves para o sucesso deste sistema.
O volumoso tem papel importante na formulação de dietas, visto que determina, direta ou indiretamente, o seu custo, além de exercer influência sobre o desempenho animal. A silagem de milho é um dos volumosos mais utilizados em sistemas de confinamento, mas outras fontes, como a cana-de-açúcar, têm sido amplamente utilizadas, buscando redução dos custos de alimentação ou como alternativa em regiões onde as condições edafoclimáticas são limitantes para o cultivo de milho. A ensilagem de cana-de-açúcar é alternativa para ser utilizada em situações onde o corte diário é dificultado, ou quando há necessidade de liberação de áreas em curto espaço de tempo.
A silagem de cana-de-açúcar apresenta algumas limitações, quando comparada à silagem de milho, principalmente devido à baixa digestibilidade da fibra e a produtos resultantes do seu processo fermentativo, como o etanol. Essa duas características podem interferir negativamente no consumo dos animais, o qual pode ser diminuído em relação à utilização de silagens de melhor valor nutritivo e qualidade fermentativa, como a silagem de milho Em trabalho conduzido na APTA - Pólo Regional Alta Mogiana em parceria com o Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá, Roman (2009) verificou menor consumo em animais alimentado com rações contendo silagem de cana-de-açúcar, fato que, embora não tenha afetado o ganho dos animais, resultou em menor rendimento de carcaça e menor deposição de gordura de cobertura (Tabela 1). Mesmo assim, a utilização de silagem de cana-de-açúcar, quando inclusa em dietas balanceadas, pode promover ganhos satisfatórios, com cobertura de gordura mínima exigida pelos frigoríficos, sendo importante alternativa para ser utilizada para animais confinados.
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Fonte: Roman (2009)
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Outro ponto importante relacionado à dieta é a sua formulação. Em geral as formulações são feitas considerando o período total de confinamento, assumindo exigências nutricionais médias durante esse período. Entretanto, sabe-se que essas exigências modificam-se conforme os animais vão sendo terminados, e a taxa de ganho e sua composição não são constantes durante o período de terminação. Dessa forma, a manipulação da formulação da dieta conforme a fase de desenvolvimento dos animais durante o período de terminação em confinamento pode ser uma estratégia interessante do ponto de vista de otimização dos recursos.
No mesmo trabalho de Roman (2009), verificou-se que o ajuste da formulação da dieta realizada conforme a fase de confinamento, embora não promova efeitos sobre o consumo e desempenho dos animais (Tabela 2), pode permitir redução do custo de produção (Figura 1). Verificou-se ainda que, ao avaliar dois tipos de silagem: cana-de-açúcar e de milho, o efeito do ajuste na formulação da dieta sobre o custo de produção foi mais intenso quando em dietas contendo silagem de cana-de-açúcar.
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Fonte: Roman (2009)
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Fonte: Roman (2009)
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Fonte: Roman (2009)
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Além disso, verifica-se que, independente do ajuste ou não da formulação da dieta, a silagem de milho proporciona um custo mais baixo da arroba produzida em relação à cana-de-açúcar, conseqüência principalmente da menor demanda por ração concentrada para o balanceamento da ração e melhores resultados de rendimento de carcaça. A silagem de cana-de-açúcar, embora com um custo de produção menor, exige maior quantidade de ração concentrada para balancear a dieta e isso afeta o custo da dieta. O maior custo de produção de volumoso, portanto, não implica em maior custo da dieta e custo de produção, e não deve ser utilizado unicamente como critério para a escolha do volumoso a ser utilizado.
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Fonte: Roman (2009)
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Outra estratégia que vem sendo praticada em confinamentos é a mudança de volumosos durante o período de confinamento. Essa prática tem como objetivo reservar para o período final de confinamento um volumoso de maior densidade energética, visando incrementar o aporte de energia para melhor acabamento dos animais e diminuindo os custos da dieta, através da redução da demanda por alimentos concentrados. O trabalho de Roman (2009) mostra que a troca de volumoso não interfere no consumo e desempenho animal (Tabela 1), e o custo da arroba produzida é reduzido quando se compara a utilização somente de silagem de cana-de-açúcar, e se mantém próximo às dietas contendo silagem de milho. A troca de volumoso mostra-se, portanto, uma alternativa a ser utilizada, principalmente em locais onde a produção de milho é limitada, e o cultivo de menores áreas, de forma mais intensiva, pode ser mais viável. Sua adoção, entretanto, deve se criteriosamente avaliada de acordo com cada situação.
Bibliografia citada
Roman, J.
Silagem de cana-de-açúcar e de milho em dietas para bovinos de corte em confinamento. 2009, 68 f. Tese (Doutorado em Zootecnia). Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2009.