Fonte: Agência Pará de Notícias
Entre os bons frutos das missões do Governo do Pará à China está o reconhecimento, pelas autoridades chinesas, das regiões sul e sudeste do Pará, livres de febre aftosa com vacinação, conforme laudo da Organização Internacional de Epizootias (OIE), como aptas a exportar carne para o país de mais de um bilhão de habitantes.
O embaixador do Brasil em Pequim, Clodoaldo Hugueney, encaminhou comunicado à governadora Ana Júlia Carepa informando que, "na sequência das conversas que mantivemos quando de sua visita a Pequim, tenho a satisfação de informar que as autoridades chinesas anunciaram o reconhecimento de todas as áreas do Brasil declaradas pela OIE como livres de febre aftosa".
De acordo com o anúncio conjunto nº 123, divulgado pela Administração Geral da Qualidade, Inspeção e Quarentena (AQSIQ) e pelo Ministério da Agricultura da China (MOA), entre as áreas liberadas estão as zonas reconhecidas pela OIE no sul do Estado. O anúncio coroa a série de esforços do governo brasileiro, e em particular do governo do Pará, para reverter a restrição ao comércio de carne brasileira na China, que persistia desde outubro de 2005.
O presidente da União das Indústrias Exportadoras de Carne do Pará (Uniec), Francisco Victer, reconhece que a reabertura do mercado chinês é uma consequência direta de missões comerciais brasileira e paraense, esta organizada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect) e liderada pela própria governadora Ana Júlia Carepa.
"O fato da China estar reabrindo o mercado depois de três anos é uma decorrência de missões comerciais feitas pelo governo federal e também pela governadora Ana Júlia, organizadas pela Sedect", disse Victer, que enxerga boas perspectivas comerciais para o Estado. De acordo com o presidente da Uniec, agora só falta que os governos dos dois países se entendam quando aos detalhes das operações de exportação e importação dos produtos.
É que cada estabelecimento exportador brasileiro interessado em vender para China terá que ser aprovado pela Administração Nacional de Certificação e Acreditação da China (CNCA). De acordo com o embaixador Clodoaldo Hugueney, hoje há somente quatro estabelecimentos aptos a exportar carne bovina para o mercado chinês, todos localizados no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
Para obter a devida aprovação, o estabelecimento interessado deverá apresentar um conjunto de informações técnicas e documentos, de acordo com formulário disponível no seguinte endereço eletrônico: http://www.cnca.gov.cn/cnca/extra/xzzq/00032.pdf.
Para Francisco Victer, a exportação paraense não vai acontecer enquanto uma missão oficial chinesa não vier ao Pará para aprovar as indústrias que encaminharem as informações solicitadas. De acordo com o presidente da Uniec, o reconhecimento de parte do Pará como livre de aftosa pelo governo chinês "abre a porta, mas não nos coloca imediatamente dentro do negócio", pois ainda haverá uma série de negociações entre o Ministério da Agricultura do Brasil e o seu correspondente chinês, o MOA. "Os dois ministérios vão definir as indústrias que poderão negociar e, além disso, deve haver uma negociação direta entre vendedor e comprador", adianta Victer.
A diretora de Comércio Exterior da Sedect, Fátima Gonçalves, confirma que a decisão do governo chinês é o pontapé inicial de uma parceria entre o Pará e a China na comercialização de carne. Além disso, o governo do Pará quer preparar outras regiões do Estado para que se tornem aptas ao comércio exterior. Para acelerar o processo, a Sedect vai encaminhar ao Ministério da Agricultura um pedido para que os produtores paraenses recebam treinamento adequado para que possam exportar carne para a China.
As exportações de carne do Pará, de janeiro a dezembro de 2009, alcançaram o valor de US$ 65,1 milhões (FOB). Mais de 21 toneladas de carne foram exportadas no ano passado pelos paraenses.