Fonte:
IEPEC
Prezados leitores, antes de expor as questões que tratam especificamente sobre a oportunidade financeira relacionada aos créditos de carbono , eu gostaria de explicar de forma sucinta alguns pontos básicos e desconhecidos pela maioria das pessoas. Não estarei esclarecendo absolutamente tudo, mas pretendo dar uma luz, facilitar o entendimento aos que não tem formação técnica para ler algo aprofundado.
O que é o Protocolo de Quioto? |
Fonte: Divulgação |
De forma simples podemos dizer que o Protocolo de Quioto é um documento produzido em conjunto pelas principais economias mundias, no intuito de estabelecer mecanismos e políticas que proporcionem melhorias ambientais e de sustentabilidade ao mundo todo, principalmente relacionadas ao aquecimento global, já que catástrofes ambientais afetam toda a humanidade. Como é sabido que o dinheiro move quase tudo neste mundo, então criou-se um mercado em torno disso para incentivar e viabilizar tais ações.
Como funciona este mercado? |
Fonte: Divulgação |
O mercado onde o recurso financeiro é movimentado chama-se mercado de créditos de carbono, o princípio é o seguinte, países desenvolvidos listados no Protoloco de Quioto devem manter suas emissões de gases causadores do aquecimento global dentro de uma faixa pré-estabelecida, caso não consigam, eles podem comprar reduções certificadas de emissões (créditos de carbono) de países em desenvolvimento que tenham viabilizado projetos redutores de emissões.
O que são os créditos de carbono? |
Fonte: Divulgação |
Os processos produtivos são grandes consumidores de recursos naturais e também poluidores, os créditos de carbono são concedidos pelos órgãos competentes, através da aplicação de mecanismos de desenvolvimento limpo, ou seja, projetos que proporcionem melhorias ambientais e sustentáveis aos sistemas de produção. Ressalto novamente que o ponto mais importante são as reduções de emissões de gases causadores do aquecimento global, NÃO É O EFEITO ESTUFA, este é um fenômeno natural. Como existem várias substâncias causadoras deste aquecimento e o dióxido de carbono (CO2) é o mais relevante então todos os demais são convertidos em equivalentes de CO2. Existem substâncias que são muitas vezes mais perigosos que o CO2, mas como a quantidade emitida destes gases é muito mais baixa então ele sempre será a base, por isso os créditos concedidos aos redutores de emissões são chamados créditos de carbono.
O que isso tudo significa?Significa que é possível angariar recursos financeiros através da implementação de projetos que reduzam a quantidade de CO2 emitido ou quaisquer outros gases causadores do aquecimento global, recebendo por isso créditos de carbono e vendendo estes créditos aos países desenvolvidos que tem dificuldades em manter suas emissões dentro do acordado no Protocolo de Quioto.
Que tipos de projetos podem receber créditos de carbono? |
Fonte: Divulgação |
Todos os projetos que utilizarem metodologias pré-aprovadas pelos órgãos responsáveis podem gerar créditos de carbono, ou seja, existem métodos comprovadamente redutores de emissões que os órgãos competentes aceitam na hora de dar os créditos. No site da instituição que é responsável por tudo isso estão listadas as metodologias aceitas. (
http://cdm.unfccc.int/methodologies/index.html)
Além disso é possível submeter novas metodologias para serem aprovadas e a partir daí gerarem créditos.
No agronegócio talvez as principais atividades que podem gerar créditos são:
- Confinamento de gado de corte
- Produção de leite com animais confinados
- Criação de suínos e aves
- Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
- Reflorestamento
É importantíssimo que seja realizado um estudo de viabilidade antes da execução de um projeto para que se assegure o lucro ou retorno desejado.
Por fim, gostaria de destacar aqui a importância de se manter bem informado sobre assuntos deste tipo, que estão sendo discutidos no mundo todo e estão gerando recursos financeiros além de melhorias na sustentabilidade local e global.
Em breve falaremos novamente sobre créditos de carbono, por enquanto ficamos por aqui. Abraço a todos e sucesso em suas iniciativas!
João Gabriel Dourado Ferriani Branco
João Gabriel é formado em Engenharia Sanitária e Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Atualmente, é presidente do Instituto de Estudos Pecuários.