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Artigos: Produção animal e sustentabilidade: Qual o limite?
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Autor: Ferenc Istvan Bánkuti

Fonte: IEPEC
A produção de alimentos representa parte significativa da economia de alguns países, entre os quais o Brasil. De acordo com dados do Censo Agropecuário do IBGE (1996), há no país, pouco mais de cinco milhões de propriedades rurais e cerca de 16 milhões de pessoas ocupadas com as atividades agropecuárias.

Em 2007, o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária foi de R$ 223,4 bilhões, deste montante, 37,8% foram gerados pela pecuária, sendo a carne bovina o grande impulsionador, respondendo por um VBP de R$ 32,81 bilhões (CNA, 2009). A expressividade deste setor, aliado aos sistemas de produção tradicionalmente empregados abrem espaço para debate.

A mídia constantemente divulga dados sobre o impacto negativo da produção animal para o meio ambiente. Entre os quais: áreas de desmatamento, quantidade de água utilizada para engorda e manejo de animais, volume de gases de efeito estufa (GEE) produzidos por ruminantes, entre outros. Independente dos números, que por sinal são bastante contraditórios frente às diferentes metodologias utilizadas, algumas questões mais simples devem ser retomadas. Entre estas, destacam-se:

(1) Qualquer atividade produtiva traz impactos negativos para o meio ambiente. Algumas com maior impacto do que outras. Além disso, atividades produtivas, quando gerida sob diferentes sistemas de produção; distintas tecnologias e/ou em áreas com graus diversos de sensibilidade, ocasionam impactos negativos distintos. A produção de alimentos orgânicos, por exemplo, provavelmente resultará em menor impacto negativo, se comparada com a produção em sistema convencional;

Fonte: IEPEC
(2) Para que haja produção de alimentos, a utilização dos recursos naturais é inevitável. Dois deles são cruciais: (2a) O solo para produção de grãos e pastagem, que servirão de alimento para engorda do animal e como local de vivência e (2b) A água para produção de grãos, sobrevivência e desenvolvimento do rebanho. É claro que um conjunto de outros recursos e serviços naturais também é de grande importância como, por exemplo, o clima, a circulação do ar, a polinização, o processo de fotossíntese entre outros;

(3) A sobrevivência das sociedades depende do alimento produzido pela agropecuária. Trata-se aqui de uma questão de segurança alimentar, especificamente no que concerne à quantidade produzida. Problemas de segurança alimentar estão vinculados à fome e à desnutrição da população, fatores estes fortemente combatidos nos mais diversos países.

Reduzir a produção de alimentos significa restringi-lo para parte da população. Os problemas de desemprego poderão ser agravados e, conseqüentemente, a economia poderá ser desacelerada. Entre os resultados desta situação está o êxodo rural, o desemprego, a redução da arrecadação de impostos, menor investimento em educação, saúde e até mesmo em preservação do meio ambiente. Por outro lado, a produção de alimentos feita em bases insustentáveis, ou seja, fortemente pautada no viés econômico, poderá inviabilizar no futuro próximo a própria produção de alimentos, dada a exaustão dos recursos naturais, e conseqüentemente, a manutenção das sociedades no futuro.

Fonte: Divulgação
(4) Interdependência entre sociedade e meio ambiente (sócio-ambiental). Não há como dissociar a manutenção das sociedades do equilíbrio ambiental, já que são partes de um sistema e não partes isoladas. 

O equilíbrio entre esses fatores - produção de alimentos e a proteção ao meio e sociedades – não é trivial. Se assim fosse, a questão já estaria resolvida, seja em direção à produção de alimentos com viés puramente econômico, o que provavelmente levaria à extinção das sociedades, pelo menos da forma como conhecemos hoje; seja em direção à proteção irrestrita do meio ambiente, que por sua vez poderia restringir ou dificultar o desenvolvimento de sociedades economicamente menos desenvolvidas. Há que se chegar a um melhor balanço para essa equação.

O conceito de crescimento sustentável remete a esse equilíbrio, tendo como eixo principal o ser humano. Crescimento é contrário ao retrocesso e à estagnação. Portanto, a produção de alimentos deve crescer, mas deve ser feita em bases sustentáveis. Ou seja, com o menor impacto negativo possível para meio ambiente e sociedades.
Paralelamente a essas constatações deve-se ressaltar que a própria manutenção dos sistemas de produção e conseqüentemente das economias depende da adequação de seus produtos e serviços aos mercados. E nesta direção, a produção ou a oferta de serviços sem a adequação ambiental está fadada ao fracasso.

Referências Bibliográficas

CNA. Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. Disponível em: www.cna.org.br/site/down_anexo.php?q=E22_20364VBP.pdf. Acesso em: 14 ago. 2009.

BGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Agropecuário 1996. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/pecua/default.asp?z=t&o=22&i=P. Acesso em: 14 ago. 2009.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa da Agrícola Municipal. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/agric/default.asp?t=3&z=t&o=11&u1=1&u2=1&u3=1&u4=1&u5=1&u6=1. Acesso em: 14 ago. 2009.
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